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Uso das telas na infância: quando elas podem ser aliadas na educação?

Jornada da Vida - Bê-a-Bá Por Jornada da Vida – Bê-a-Bá
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ícone de calendário indicando a data da publicação​ Criado em 03/05/2023 | Atualizado em 21/08/2023

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Conheça as vantagens e as desvantagens do uso de telas na infância e saiba como lidar com o acesso dos pequenos à tecnologia!

Há apenas algumas décadas, boa parte dos produtos tecnológicos que temos hoje em dia pareceriam saídos de um filme de ficção científica. No entanto, as novidades não param de surgir e o nosso dia a dia está cada vez mais conectado, aumentando a preocupação dos pais quanto ao uso de telas na infância.

Afinal, elas afetam a vida das crianças. E é cada vez mais comum ver os pequenos usando celular, tablet e outros dispositivos móveis. E então? Será que o uso de telas na infância é algo prejudicial ou pode trazer benefícios?

Criamos um conteúdo para responder a esse questionamento. Continue com a gente e tire as suas dúvidas sobre o uso de telas na infância e as suas consequências para as próximas gerações!

O que os especialistas falam sobre o uso de telas na infância?

Boa parte dos especialistas recomenda que o tempo de tela de crianças e adolescentes seja limitado. Assim, é possível permitir que o seu desenvolvimento cognitivo e social ocorra da maneira adequada. 

A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID 11), inclusive, já considera a dependência tecnológica como uma doença. Por isso, é importante buscar seguir as diretrizes definidas pelos órgãos competentes.

Uma boa fonte é o documento Recomendação Sobre o Uso de Telas na Infância, organizado por instituições como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Academia Americana de Pediatria (AAP) e Organização Mundial de Saúde (OMS). 

De acordo com o documento:

  • crianças com menos de 18 meses (1 ano e meio) não devem ser expostas às telas, exceto em casos muito específicos, como chamadas de vídeo rápidas com familiares que moram longe;
  • dos 18 meses aos 5 anos, a exposição deve ser de, no máximo, 1 hora por dia;
  • entre 6 e 10 anos, é possível aumentar meia hora diária na exposição às telas;
  • dos 11 aos 13 anos, o tempo permitido sobe para duas horas diárias.

Quais são os possíveis malefícios do uso de telas na infância?

Pesquisas têm demonstrado que o uso de telas na infância, quando em excesso, pode afetar o desenvolvimento da criança. São impactados aspectos como a concentração, o foco, o sono, a retenção de informações e a memorização.

Além disso, o tempo em que a criança fica na tela tira oportunidades de ela desenvolver capacidades do “mundo real”. Como exploração manual de objetos, destreza motora, entre outras descobertas que são próprias da realidade concreta.

Isso acontece especialmente no caso de crianças na educação infantil, quando a exploração física e manual é imprescindível para o desenvolvimento.

Outro ponto importante é o risco da internet para crianças. Infelizmente, pode ser difícil monitorar o que está sendo visto pelos pequenos e, assim, eles ficam expostos a diversos perigos, caso não sejam acompanhados enquanto acessam a rede.

Aqui, então, podemos notar que o prejudicial é o excesso de telas (e não seu uso, apenas), com um possível agravante caso seja feito de forma não supervisionada.

Criança pode ter celular?

É comum os pais se perguntarem: será que uma criança pode ter um celular? A resposta é: depende. Não há como cravar um sim ou não nesses casos. Tudo dependerá da criança, da família e de vários outros fatores.

A dica que damos é que você busque a opinião de um profissional que conheça o seu filho. Pode ser o pediatra, um pedagogo ou até mesmo um psicólogo, que poderá ajudar a avaliar essa é ou não uma boa ideia. 

Ter um celular requer alguma maturidade e capacidade de avaliação. É importante saber algumas regras de como e quando usar, entender os perigos que a internet apresenta, caso usada sem filtros, entre outras questões.

Por outro lado, pode ser útil que a criança tenha um telefone para fins práticos. A exemplo de comunicação mais rápida com os pais em determinadas situações ou mesmo para comunicação virtual com colegas para realização de trabalhos escolares.

De qualquer forma, o indicado é que o uso seja monitorado e não livre. Ou seja: nada de deixar o aparelho à disposição o dia todo. Utilizar programas que filtram o conteúdo assistido também é uma boa ideia.

Com quantos anos a criança pode usar celular?

Novamente, isso dependerá de vários fatores. No entanto, o indicado é que ela comece a lidar com esse tipo de tecnologia mais à frente em sua vida, quando tem maior capacidade de discernimento. 

Sendo assim, a decisão cabe à família, se possível, embasada na avaliação dos profissionais envolvidos com os cuidados de cada criança.

Uma pesquisa conduzida em Stanford, por exemplo, determinou que não há uma relação direta entre o bem-estar das crianças e a idade em que elas conseguiram o seu primeiro smartphone, o que pode acalmar o coração dos pais. Geralmente, os responsáveis conseguem perceber o que é melhor para os próprios filhos.

Quanto tempo a criança pode assistir TV?

O tempo de tela das crianças em frente à televisão também varia. Uma ideia é seguir as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, passadas no comecinho da nossa conversa.

E, claro, sempre opte por conteúdos que sejam educativos e contribuam para o amadurecimento cognitivo da criançada.

O uso das telas na infância pode ser benéfico?

Sim, o uso de telas na infância pode ser benéfico, quando feito da forma adequada. Isso significa evitar o excesso de tempo e escolher bem os programas ou atividades.

O ideal é optar por programação educativa, que estimule a reflexão por parte da criança e que esteja dentro da faixa etária indicada.

As telas também podem contribuir para o aprendizado de formas incríveis. Há diversas metodologias de ensino que fazem uso da tecnologia e isso é excelente, quando bem acompanhado e quando as ferramentas são de qualidade.

O objetivo desse uso pedagógico é garantir que as crianças se desenvolvam em um mundo tecnológico, mas sem perder em nada para as gerações anteriores em desenvolvimento cognitivo e social.

Como o uso de telas se relaciona com a educação e a aprendizagem?

As metodologias ativas de aprendizagem costumam colocar o aluno como protagonista do próprio aprendizado. Nesse sentido, educadores são mediadores do processo, e a tecnologia pode ser uma ferramenta de suporte.

Assim, são desenvolvidos não só o gosto pela tecnologia e a capacidade de lidar com ela da forma correta (o chamado “letramento digital”). Mas também competências e habilidades como a comunicação, o trabalho em equipe, a resiliência, a criatividade, o raciocínio lógico e muito mais.

Para que você saiba como a instituição de ensino lida com o tema tecnologia, é importante fomentar o diálogo entre família e escola.

Tire as suas dúvidas e busque sempre colégios que trabalhem essa questão de maneira saudável, estimulando a mente das pessoas que vão construir o nosso futuro.

Como você viu, a questão das telas é complexa e não existem respostas certas ou erradas. O importante é ter conhecimento para tomar decisões informadas.

Saber das consequências do excesso de telas pode ajudar na imposição de limite de tempo. E busque sempre oferecer maneiras educativas de uso desses recursos tecnológicos.

Gostou de saber mais sobre o uso de telas na infância? A gente espera que sim! Agora, você tem mais ferramentas para auxiliar nas escolhas envolvidas na educação dos seus pequenos.

Aproveite e confira o nosso post sobre quando colocar o seu filho na escola e tire as suas principais dúvidas sobre esse tema!